Real manterá ganhos em 2021, visão de médio prazo atingida por temores orçamentários

O real do Brasil deve manter seus ganhos recentes no primeiro trimestre de 2021, mas a tendência positiva pode se desfazer com o passar do ano devido ao aumento dos temores sobre as finanças públicas do país, mostrou uma pesquisa da Reuters.

A moeda se valorizou 7,7% em relação ao dólar em novembro, após uma queda da moeda norte-americana nos mercados globais, à medida que a aversão ao risco diminuía devido aos avanços nas vacinas para COVID-19, que já matou cerca de 175.000 no Brasil.

“Vemos potencial para otimismo em torno do Real se os benefícios de bem-estar da pandemia não forem estendidos e o teto de gastos do Brasil for respeitado”, disse Juan Prada, estrategista de câmbio do Barclays. Isso pode sofrer uma superação no início de 2021, mas acreditamos que as preocupações fiscais podem retornar no segundo semestre do próximo ano.” 

Na verdade, essa preocupação de médio prazo se reflete claramente na pesquisa de novembro. A previsão do real para 12 meses caiu 1,8% em comparação com novembro, para 5,09 por dólar americano, a estimativa mais fraca para esse período na história da pesquisa, de acordo com a visão mediana de 27 estrategistas cambiais entrevistados entre 30 de novembro e 30 de dezembro. 

Buscando acalmar as preocupações de que ele pode estar escorregando no lado fiscal, o presidente Jair Bolsonaro disse esta semana que seu governo não iria “perpetuar” benefícios emergenciais concedidos a trabalhadores mal pagos e informais durante a pandemia.

Mesmo assim, aumentam as preocupações sobre se a equipe de Bolsonaro será capaz de manter os gastos com programas sociais regulares abaixo do chamado “teto fiscal” no meio da campanha para a votação de 2022, onde ele poderia buscar a reeleição.

Em um confronto público incomum entre altos funcionários, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reagiu aos comentários do presidente do banco central, Roberto Campos Neto, que enfatizou a necessidade de um plano claro para o aumento da dívida.

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Traduzido e adaptado por equipe Dinheirao.

Fonte: Financial Post